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Casos de síndrome respiratória aguda em crianças estão em queda, diz Fiocruz

Em contrapartida, boletim da fundação aponta uma maior incidência de casos relacionados ao vírus sincicial respiratório (VSR), mais comum e perigoso para crianças muito pequenas

24/04/2022 13h47
Por: Redação / Blog QP
Casos de síndrome respiratória aguda em crianças estão em queda, diz Fiocruz

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre crianças mostra sinais de queda no Brasil, segundo boletim da Fundação Oswaldo Cruz. Depois de números preocupantes na última semana epidemiológica, a tendência de queda foi confirmada pela Fiocruz no último dia 20, em boletim que corresponde aos dias 10 e 16 de abril.

Segundo os dados da Semana Epidemiológica 15, foram registrados 3,7 mil casos de SRAG em todo o Brasil, sendo que aproximadamente 1,8 mil acometeram crianças de 0 a 4 anos. De acordo com a Fiocruz, a síndrome respiratória aguda grave em crianças teve uma alta incidência no mês de fevereiro, mas, agora, chegou a um platô e começa a apresentar queda no número de casos.

O infectologista Werciley Júnior explica que a SRAG em crianças naturalmente é uma síndrome mais grave porque pode ser causada tanto por Covid-19 quanto por qualquer outro vírus respiratório. Segundo o especialista, felizmente já existem vacinas contra a Covid-19 para crianças a partir de 5 anos.

“Uma das mudanças é que a vacinação entre crianças deu uma evoluída, mas ainda aquém do que a gente esperava, e ainda não entramos no período do frio. É no frio que acontece a evolução da SRAG, então a gente pode sofrer ainda algumas oscilações”, destaca Werciley.

Síndrome Sincicial Respiratória – VSR

Apesar de noticiar a queda de casos de SRAG, a Fiocruz emitiu alerta para um aumento considerável no percentual de casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O vírus, responsável por causar infecções nas vias respiratórias e bronquite, foi responsável por 41,5% do total de casos de SRAG registrados nas últimas quatro semanas, mesmo a doença sendo observada fundamentalmente nas crianças.

Nos pequenos de até 4 anos, os novos dados laboratoriais indicaram presença de 66,4% de VSR. Já em crianças entre 5 e 11 anos a porcentagem cai para 23%. Com relação ao rinovírus, o predomínio de casos foi de 36% e o de Sars-CoV-2 (Covid-19) foi de 28%.

O vírus sincicial respiratório é bastante comum e prolifera-se em ambientes pouco ventilados e com muita gente, provocando uma doença altamente contagiosa. Um dos principais agentes de infecção aguda nas vias respiratórias, o VSR pode afetar os brônquios e os pulmões, causar inflamação dos brônquios e alvéolos pulmonares, além de pneumonia, especialmente em bebês prematuros e aqueles no primeiro ano de vida. Até mesmo os bebês que receberam anticorpos das mães durante a gestação são vulneráveis à infecção.

O infectologista explica que o número de casos do vírus sincicial respiratório permaneceu baixo durante a pandemia porque o distanciamento social e os cuidados realizados pelas mães protegeram os pequenos, mas que, à medida que todos estão retornando à vida cotidiana, a atenção deve ser retomada.

“O vírus sincicial é o mais comum, que já causa alterações em crianças. Há dois anos nós tivemos um baixo volume porque a maioria das crianças não estava se deslocando e, principalmente, estava usando máscara. Agora, com a retomada das atividades, começa a aumentar novamente”, destaca Werciley, que ressalta a necessidade de vacinar as crianças para que os números de SRAG continuem baixando: “Temos aumento do vírus sincicial, mas temos também a Influenza. Está tendo vacinação de Influenza, então tem de vacinar as crianças, e a vacinação de Covid, apesar de ter diminuído as SRAGs, ainda é uma necessidade de evoluir [a vacinação] nessa população.”

O vírus sincicial respiratório penetra no organismo saudável através das mucosas da boca, do nariz ou dos olhos. O período de transmissão começa dois dias antes de aparecerem os sintomas e só termina quando a infecção está completamente controlada. O contágio se dá pelo contato direto com as secreções eliminadas pela pessoa infectada quando fala, tosse ou espirra e, de forma indireta, pelo contato com superfícies e objetos contaminados, como brinquedos, corrimão e maçaneta de portas.

Caso o bebê apresente secreção nasal, espirros, tosse seca, febre baixa, dor de garganta e dor de cabeça, a família deve procurar atendimento em uma unidade de saúde. A atenção deve ser redobrada caso a criança apresente febre alta, muita tosse e dificuldade para respirar.

Regiões em alerta

Segundo a Fiocruz, entre as 27 unidades da federação, oito apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo de SRAG: Acre, Amapá, Mato Grosso, Pará, Piauí, Paraná, Roraima e Rio Grande do Sul. Alagoas e Paraíba estão com indicativo de crescimento no curto prazo. Todos eles com incidência principalmente na população infantil.

Já oito capitais apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), e Rio Branco (AC).

Ainda de acordo com os dados do InfoGripe, nas últimas quatro semanas epidemiológicas a prevalência foi 1,6% para Influenza A, 0,2% para Influenza B, 41,5% para VSR e 37,4% para Sars-CoV-2.

Fonte: Brasil 61

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