SAÚDE PÚBLICA
Diagnóstico ainda na gestação amplia chances de tratamento de bebês com cardiopatia congênita
No Dia da Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, Hospital de Clínicas reforça a importância do ecocardiograma fetal e promove ação educativ...
12/06/2026 17h18
Por: Fonte: Secom Pará

A identificação precoce das cardiopatias congênitas pode fazer toda a diferença no planejamento do tratamento e na qualidade de vida dos bebês. Neste 12 de junho, Dia da Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), referência em cardiopediatria na Região Norte, reforça a importância do ecocardiograma fetal, exame capaz de avaliar detalhadamente o coração do bebê ainda durante a gestação.

As cardiopatias congênitas são alterações na estrutura ou no funcionamento do coração que se desenvolvem antes do nascimento. Muitas delas podem ser identificadas ainda no pré-natal, permitindo que a equipe médica organize o acompanhamento especializado e, nos casos mais graves, planeje os cuidados necessários logo após o parto.

Segundo a cardiologista pediátrica Josélia Mansour, alguns fatores podem indicar a necessidade de uma investigação mais detalhada do coração fetal. "Os sinais que levam o obstetra a fazer uma investigação mais detalhada do coração do feto geralmente são doenças maternas ou fetais. No caso das gestantes, quando elas têm alguma infecção ou doenças prévias à gestação, por exemplo diabetes gestacional, lúpus. As doenças infecciosas no início da gestação também são um indicativo. Da mesma forma, os nenéns, quando durante a realização do pré-natal, no morfológico especialmente, se tiver qualquer tipo de malformação no corpinho do bebê, que seja fora do coração, ele obrigatoriamente tem que ter o coração estudado e melhor avaliado por conta das comorbidades que ele apresenta”, explicou.

A especialista explica que a suspeita pode surgir ainda nos exames morfológicos realizados durante o pré-natal. Havendo qualquer indício de alteração cardíaca, o ecocardiograma fetal passa a ser indicado para uma avaliação mais aprofundada.

"A triagem inicial das cardiopatias congênitas pode dar sinal desde o morfológico do primeiro trimestre, que é o primeiro exame mais detalhado que se faz no bebê. No morfológico do segundo trimestre, se faz uma avaliação um pouco mais aprofundada do coração. Se tiver qualquer suspeita de cardiopatia, o bebê precisa ser avaliado com o ecocardiograma fetal. O melhor momento é entre 20 e 28 semanas de gestação. Pode ser realizado precocemente se tiver alguma indicação ou após esse período, durante toda a fase da gestação. As melhores imagens são obtidas entre 24 e 28 semanas de gestação, então é o melhor período para ser avaliado o coração e ser detectada cardiopatia congênita no bebê", detalhou.

Confiança para enfrentar o diagnóstico

Moradora de Castanhal, a dona de casa Ellen Karine Cabral, de 25 anos, está grávida de 29 semanas de uma menina e realiza acompanhamento no Hospital de Clínicas após a confirmação de uma cardiopatia congênita na bebê.

"Quando eu recebi o laudo e o diagnóstico de que minha filha seria cardiopata, eu fui transferida para cá. Eu não conhecia o hospital, mas quando eu cheguei aqui já me transmitiu bastante confiança por conta da estrutura e também por seu reconhecimento. As pessoas falam muito que esse hospital é o hospital mais indicado, que era o hospital mais indicado para mim. No caso da minha filha, que aqui tem profissionais mais capacitados, com certeza, que me dariam todo esse auxílio no nascimento da minha filha, que aqui seria o melhor lugar para mim", relatou.

Apesar do impacto da notícia, Ellen destaca a importância do acompanhamento especializado durante a gestação. "É difícil porque a gente não entende muito, né? São muitos nomes diferentes e a gente vai procurar pesquisar e acaba se assustando mais. Então, não é fácil receber o diagnóstico de ter uma filha com um problema no coração, que é um problema difícil de se resolver. É algo delicado, ainda mais um bebê pequeno, então isso assusta muito. Muito. Mas a gente confia que vai dar certo”, contou.

Planejamento que faz a diferença

De acordo com a cardiologista, o principal benefício do ecocardiograma fetal é permitir que a equipe médica conheça a condição do bebê antes do nascimento e organize toda a assistência necessária. "A realização do ecocardiograma fetal e o diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas vão impactar diretamente na sobrevida desse bebê. O objetivo do exame é diagnosticar antes do nascimento se o bebê tem alguma alteração no coração, porque tem cardiopatias graves que precisam de suporte logo no nascimento. Em algumas situações podem ser tratadas ainda na barriga, com medicações ou alguma abordagem das válvulas do coração, ou mesmo que não tenha essa possibilidade de tratamento intraútero, o objetivo principal é que essa criança nasça num hospital que tenha suporte cardiológico e também planejamento precoce da cirurgia cardíaca. Naqueles bebês que não têm cardiopatia grave, que não vão necessitar logo ao nascimento, o diagnóstico prévio é importante para planejar o tratamento dessa criança após o nascimento”, complementou.

Como parte das ações alusivas à data, o Hospital de Clínicas também promoveu uma edição especial do projeto “Café com Saúde”. A atividade reuniu acompanhantes de pacientes das clínicas pediátrica, UTI Neonatal e UTI Pediátrica para uma conversa sobre cardiopatias congênitas, fatores de risco, diagnóstico precoce e a importância do acompanhamento especializado, fortalecendo a conscientização e o acesso à informação para pacientes e familiares.